
Conta-se que em um jardim muito florido havia duas flores que eram amigas. Elas conversam muito, mas nunca haviam conseguido olhar uma para a outra, pois o destino fez com que nascessem viradas em direção opostas.
A primeira, a Florisbela nasceu em direção ao jardim, então tinha a visão de tudo de mais belo, via as outras flores, sentia seus perfumes e o pulular de cores. A Florisbela conseguia enxergar o que tinha de melhor das outras flores. Ela percebia que algumas não eram bonitas, porém tinham um perfume delicioso, outras eram lindas, entretanto sem perfume, mas todas tinham sua virtude.
A outra flor, a Carmélia, infelizmente nasceu virada para um terrível e sujo terreno baldio, sua visão era de um lugar imundo, desarrumado e ela via todos os dias pessoas que jogavam tudo o que não queriam mais naquele lugar: sofá, entulho e um monte de outros lixos. A Carmélia apesar de não conseguir enxergar a beleza do jardim, ouvia a voz macia das flores. Sim! Nesse jardim as flores falavam, sentia seus perfumes, não tinha a visão, mas a percepção do olfato e audição, porém por causa de sua visão do feio, só conseguia perceber o pior das outras flores, Imaginava-as horrorosas. Achava que uma falava demais, outra o perfume enjoativo, a outra chata. Ela praticamente não usava seus outros sentidos, não conseguia ver com o coração, limitava-se a visão do exterior.
Nós seres humanos somos parecidos com a Florisbela e Carmélia, alguns nasceram em lares felizes que tinham seus problemas, lógico! Mas eram felizes. Por causa do ambiente que nasceram e das experiências que tiveram conseguem valorizar o melhor das pessoas. Percebem que às vezes uma pessoa é um pouco chata, mas é bondosa, outra é mal humorada, mas pode-se contar com ela para o que der e vier. Desenvolveram a visão do Beija-Flor que vê somente as flores. Essas valorizam os perfumes e belezas que cada pessoa tem.
Outros de nós nasceram em lares não tão felizes e tiveram experiências não tão boas assim, isso trouxe amargura e ver o melhor das outras pessoas é difícil ou quase impossível. Só conseguem vislumbrar a chatice ou mau humor do outro. Não vêem o melhor delas, pois estão presas em suas experiências antigas e amargas, não percebem os perfumes e vozes macias. Desenvolveram a visão do urubu que só consegue ver a podridão.
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